Big Surf quer transformar ondas gigantes em negócios no Sul de SC
Laguna, Garopaba, Imbituba, Jaguaruna e Tubarão se unem para transformar ondas grandes em turismo, serviços e renda além da temporada de verão.

O litoral Sul de Santa Catarina passou a contar com uma estratégia conjunta para transformar suas ondas em turismo, serviços e oportunidades de negócio. Lançada em 11 de agosto, em Tubarão, a Rota do Big Surf reúne Laguna, Garopaba, Imbituba, Jaguaruna e Tubarão.
A iniciativa é conduzida pelo Sebrae/SC em parceria com o Movimento Big Wave Brasil. As secretarias municipais de Turismo participam da mobilização do setor, das políticas públicas, da infraestrutura e da contrapartida financeira necessária à estruturação da rota.
O projeto parte de um ativo natural conhecido por surfistas, mas propõe uma cadeia econômica mais ampla. Hotéis, pousadas, restaurantes, comércio, escolas de surfe, guias, produtores de eventos e prestadores de serviços podem integrar uma oferta regional conectada.
Da onda ao roteiro
A prática de ondas grandes depende das condições do mar e não pode ser tratada como uma atração com horário fixo. Por isso, a sustentabilidade comercial da rota dependerá da criação de experiências que continuem relevantes mesmo quando não houver um grande swell.
A diversidade dos cinco municípios permite combinar o surfe com gastronomia, natureza, cultura local, hospedagem e outros esportes. O desafio será fazer com que o visitante percorra mais de uma cidade, permaneça por mais tempo e distribua seus gastos entre diferentes empreendedores.
Durante o lançamento, o surfista Lucas Chumbo destacou a variedade de condições encontradas na região. Segundo declaração divulgada pelo Sebrae/SC, o litoral oferece ondas para diferentes níveis, desde Garopaba e o Farol de Santa Marta até a Laje de Jaguaruna.
A presença de ondas reconhecidas cria visibilidade, mas não garante automaticamente um produto turístico. A rota precisa oferecer informação confiável, segurança, acesso, atendimento, hospedagem e alternativas para familiares e visitantes que não praticam o esporte.
Baixa temporada no centro da estratégia
Um dos maiores potenciais econômicos do Big Surf está na baixa temporada. As grandes ondulações podem atrair atletas, equipes, fotógrafos e espectadores em períodos diferentes do turismo tradicional de verão.
O Movimento Big Wave Brasil relata que eventos realizados na Praia do Cardoso, em Laguna, já provocaram movimentação em pousadas e restaurantes. A nova rota procura organizar esse efeito em escala regional.
Até agora, porém, não foi divulgado um estudo com projeções de visitantes, faturamento ou empregos associados à iniciativa. Esses números somente poderão ser medidos conforme as empresas forem integradas, os produtos turísticos forem lançados e o fluxo de visitantes começar a ser acompanhado.
Espaço para pequenos negócios
A plataforma da Rota do Big Surf foi aberta para adesão de empresas e também de pessoas físicas sem CNPJ. Segundo o Sebrae/SC, essa possibilidade busca incluir profissionais e empreendedores ligados ao turismo e ao território.
A abertura amplia a participação, mas também reforça a necessidade de qualificação e formalização. Serviços ligados ao mar exigem atenção especial à segurança, às condições meteorológicas, à capacidade técnica dos operadores e à comunicação com o visitante.
O diagnóstico inicial dos participantes deverá orientar capacitações e a formação da governança do projeto. A primeira fase está prevista para seguir até o fim de 2027, incluindo criação de produtos turísticos, ações de mercado e estratégias de divulgação.
Cinco cidades, uma identidade
Projetos regionais costumam enfrentar um desafio de coordenação. Cada município possui prioridades, calendário e estrutura próprios. Para que a rota funcione, o visitante precisa perceber uma experiência integrada, e não apenas uma lista de praias.
Isso envolve sinalização, informações atualizadas, canais de reserva, padrões mínimos de atendimento e uma narrativa comum. Também exige equilíbrio entre promoção econômica, preservação ambiental e respeito às comunidades locais.
O lançamento da Rota do Big Surf abre uma oportunidade real para o Sul catarinense. Mas seu resultado não será medido apenas pela altura das ondas ou pelo alcance das imagens. O indicador decisivo será a capacidade de transformar a identidade do território em renda recorrente, negócios qualificados e turismo responsável durante mais meses do ano.
Fonte consultada: Agência Sebrae de Notícias de Santa Catarina, publicação oficial sobre o lançamento da Rota do Big Surf, de 13 de agosto de 2026. Consulta realizada em 1º de setembro de 2026.
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