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Inteligência Artificial

Sua empresa vende. Mas onde está perdendo vendas?

Muitas empresas tentam vender mais aumentando tráfego, contratando vendedores ou investindo em novas ferramentas. O problema é que o crescimento pode estar escapando dentro da própria operação comercial. Descobrir onde sua empresa está perdendo vendas é o primeiro passo para construir um processo mais eficiente, previsível e escalável.

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Muitas empresas tentam vender mais aumentando tráfego, contratando vendedores ou investindo em novas ferramentas. O problema é que o crescimento pode estar escapando dentro da própria operação comercial. Descobrir onde sua empresa está perdendo vendas é o primeiro passo para construir um processo mais eficiente, previsível e escalável.

Toda empresa perde vendas. A questão é que poucas sabem exatamente onde isso acontece. E, na minha visão, esse é um dos maiores problemas de uma operação comercial: é muito fácil perceber quando o faturamento está abaixo da meta, mas é muito mais difícil identificar qual parte do processo está fazendo dinheiro escapar.

Quando isso acontece, a reação normalmente é previsível. A empresa aumenta o investimento em marketing, cobra mais os vendedores, contrata gente, troca ferramentas ou tenta gerar ainda mais leads. Só que existe uma possibilidade que deveria ser analisada antes de qualquer uma dessas decisões: talvez sua empresa não precise de mais oportunidades. Talvez precise parar de desperdiçar as oportunidades que já possui.

O problema pode não estar na geração de leads

Existe uma obsessão por geração de leads no mercado. Se precisamos vender mais, precisamos colocar mais gente no topo do funil. Parece lógico, mas nem sempre é verdade. Uma empresa pode gerar centenas de oportunidades todos os meses e continuar com um processo comercial ineficiente.

Imagine uma operação que recebe 500 leads por mês. Se parte deles demora para receber atendimento, outra parte não é qualificada corretamente, algumas oportunidades ficam esquecidas no CRM e outras recebem apenas uma tentativa de contato antes de serem abandonadas, aumentar o número de leads provavelmente não vai resolver o problema. Vai apenas colocar mais oportunidades dentro de um processo que já está desperdiçando oportunidades.

É por isso que uma das primeiras coisas que eu olharia em uma operação comercial não seria a quantidade de leads gerados, mas a jornada entre a entrada desse lead e o fechamento da venda. Quanto tempo demoramos para responder? Quantos leads realmente são atendidos? Quantos são qualificados? Quantos avançam para uma proposta? Quantas propostas viram vendas? E, principalmente, por que os outros não avançaram?

Quando começamos a responder essas perguntas com dados, o comercial deixa de ser uma sensação e começa a se transformar em uma operação.

Seu funil precisa mostrar onde as vendas estão morrendo

Um processo comercial bem estruturado deveria funcionar quase como um sistema de diagnóstico. Cada etapa do funil precisa mostrar quantas oportunidades entraram, quantas avançaram, quanto tempo permaneceram naquela etapa e por que foram perdidas.

É aqui que um CRM bem estruturado começa a fazer diferença. Não porque CRM seja uma ferramenta bonita para cadastrar clientes, mas porque ele permite transformar o processo comercial em algo mensurável. Se 100 oportunidades chegam até determinada etapa e apenas 20 avançam, existe alguma coisa acontecendo ali que precisa ser investigada.

Pode ser abordagem. Pode ser preço. Pode ser falta de qualificação. Pode ser demora. Pode ser uma proposta ruim. Pode ser ausência de follow-up. Pode ser simplesmente um processo que depende demais da memória e da disciplina individual de cada vendedor.

Sem dados, todas essas possibilidades são opiniões. Com dados, começamos a encontrar padrões.

E essa diferença é muito importante porque empresas não deveriam tomar decisões comerciais relevantes baseadas em percepção. Quanto maior a operação, mais caro fica administrar vendas no achismo.

O follow-up talvez seja um dos maiores vazamentos do comercial

Existe uma expectativa muito comum de que um bom lead deveria responder, demonstrar interesse e comprar rapidamente. Só que vendas raramente funcionam dessa maneira. Pessoas trabalham, entram em reuniões, recebem outras propostas, mudam prioridades, esquecem conversas e simplesmente deixam mensagens para depois.

O problema é que muitas operações comerciais interpretam silêncio como falta de interesse.

O vendedor entra em contato uma vez, tenta novamente alguns dias depois e segue para a próxima oportunidade. Individualmente parece algo pequeno. Quando isso acontece centenas de vezes durante o ano, pode representar uma quantidade relevante de receita abandonada dentro do próprio pipeline.

É justamente aqui que processo, CRM e automação começam a trabalhar juntos. O CRM registra onde a oportunidade está. A automação garante que determinadas ações aconteçam. A inteligência artificial pode ajudar na qualificação, no atendimento e na continuidade de determinadas conversas. E o vendedor concentra seu tempo onde realmente gera mais valor: entender contexto, negociar e fechar.

Não se trata de substituir o vendedor. Trata-se de parar de usar capacidade humana em tarefas que um sistema pode executar com mais consistência.

Antes de contratar mais vendedores, entenda sua operação

Outro erro comum acontece quando uma empresa começa a crescer e imediatamente associa crescimento comercial ao aumento da equipe. Se dez vendedores produzem determinado resultado, vinte deveriam produzir o dobro.

Na prática, não funciona necessariamente assim.

Quando o processo é ruim, aumentar a equipe pode simplesmente multiplicar a desorganização. Mais vendedores utilizando critérios diferentes, conduzindo oportunidades de maneiras diferentes, fazendo follow-ups diferentes e alimentando o CRM de maneiras diferentes não criam necessariamente uma operação maior. Podem criar apenas uma operação mais difícil de administrar.

Antes de aumentar um time comercial, eu tentaria entender se o processo atual consegue ser replicado. Existe uma cadência definida? Existem critérios claros de qualificação? As etapas do pipeline possuem critérios objetivos? O gestor consegue identificar oportunidades paradas? Existe previsibilidade sobre o que pode fechar nos próximos 30, 60 ou 90 dias?

Se essas respostas não existem, talvez o problema ainda não seja quantidade de vendedores. É estrutura.

Inteligência artificial não corrige processo ruim

Com o avanço da inteligência artificial, existe ainda outra tentação: automatizar rapidamente tudo aquilo que parece ineficiente. Eu acredito muito no potencial da IA dentro das operações comerciais, mas existe uma ordem que precisa ser respeitada.

Primeiro você entende o processo. Depois organiza. Depois mede. E então automatiza.

Se uma empresa possui um processo comercial confuso e coloca inteligência artificial em cima dele, provavelmente terá apenas uma confusão mais rápida. Tecnologia potencializa sistemas. Isso significa que ela pode potencializar tanto processos excelentes quanto processos ruins.

Quando CRM, processo comercial, dados e inteligência artificial trabalham de maneira integrada, a história muda. A empresa consegue responder mais rápido, acompanhar mais oportunidades, identificar gargalos, automatizar tarefas repetitivas e entregar para os vendedores informações melhores para tomada de decisão.

É nesse ponto que IA deixa de ser uma ferramenta interessante e começa a se transformar em infraestrutura comercial.

A pergunta não é quanto sua empresa vende

A maioria dos gestores sabe quanto vendeu no último mês. Poucos conseguem explicar exatamente por que venderam aquele valor e, principalmente, quanto deixaram de vender.

Para mim, essa segunda informação é muito mais interessante.

Porque existe uma diferença enorme entre uma empresa que precisa gerar mais demanda e uma empresa que já possui demanda, mas perde oportunidades por falhas de atendimento, qualificação, processo, follow-up ou gestão.

As duas podem apresentar exatamente o mesmo sintoma: vendas abaixo do potencial. Mas precisam de tratamentos completamente diferentes.

É por isso que, antes de investir mais dinheiro para colocar oportunidades dentro do funil, vale entender o que acontece com as oportunidades que já entram nele.

Talvez sua empresa realmente precise de mais leads. Talvez precise contratar vendedores. Talvez precise de CRM, automação ou agentes de inteligência artificial.

Mas talvez exista uma decisão anterior a todas essas.

Descobrir onde o dinheiro está escapando.

Porque crescer não significa apenas colocar mais oportunidades dentro da operação. Em muitos casos, significa construir uma operação capaz de perder menos das oportunidades que já existem.

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Sobre o autor

André AmorimColunista

29 matérias publicadas

Fundador da Orvi Company e incentivador do uso de IA para empresas.

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