Santa Catarina descobriu como transformar turismo em patrimônio
Santa Catarina transformou o turismo em um ecossistema permanente de experiências, movimentando visitantes durante os 365 dias do ano. Entenda por que esse novo modelo fortalece o mercado imobiliário, impulsiona a locação por aplicativos e consolida o estado como um dos destinos mais rentáveis para quem busca construir patrimônio.

Santa Catarina descobriu como transformar turismo em patrimônio. O mercado imobiliário apenas acompanhou esse movimento.
Durante muito tempo, o turismo brasileiro foi organizado em torno das estações do ano. O verão pertencia ao litoral, enquanto o inverno impulsionava as cidades serranas. Nos meses intermediários, muitos destinos conviviam com hotéis vazios, comércio desacelerado e imóveis de temporada fechados à espera da próxima alta estação. Santa Catarina rompeu esse paradigma. Sem grandes campanhas anunciando essa transformação, o estado construiu um modelo econômico capaz de manter visitantes circulando praticamente durante os 365 dias do ano, criando um dos ambientes mais favoráveis do país para investimentos em imóveis voltados à locação por temporada.
Essa mudança não aconteceu por acaso. Ela é resultado da combinação entre uma economia diversificada, infraestrutura crescente, segurança pública acima da média nacional e uma capacidade rara de integrar diferentes experiências em um único território. Em poucas horas de deslocamento é possível sair de uma marina internacional em Itajaí, visitar as praias de Bombinhas, passar a tarde em um parque temático em Penha, jantar na gastronomia típica de Blumenau e, no dia seguinte, participar de um congresso de tecnologia em Florianópolis. Poucos lugares no Brasil conseguem oferecer uma diversidade tão grande de experiências em distâncias tão curtas.
Essa integração alterou profundamente o comportamento do visitante. O turista já não escolhe apenas uma cidade, mas uma região inteira. A Costa Verde & Mar funciona hoje como um grande corredor turístico onde municípios deixam de competir entre si para formar um ecossistema complementar. Cada cidade entrega uma vocação diferente — náutica, gastronomia, entretenimento, negócios, cultura, natureza ou tecnologia — fazendo com que a permanência média dos visitantes aumente e que novos perfis de consumidores passem a frequentar o estado durante praticamente todo o ano.
É justamente nesse ponto que o mercado imobiliário encontra uma das maiores oportunidades de sua história recente. A locação por aplicativos deixou de depender exclusivamente das férias de verão e passou a ser alimentada por uma sucessão contínua de públicos distintos. No mesmo apartamento que recebe uma família em janeiro podem se hospedar executivos durante um congresso em março, atletas em uma competição esportiva no inverno, empresários durante uma feira internacional, turistas argentinos em um feriado prolongado e profissionais que trabalham remotamente buscando qualidade de vida. O imóvel deixa de ser um ativo sazonal para se transformar em um patrimônio capaz de gerar receita recorrente ao longo de todo o calendário.
Esse fenômeno revela uma mudança importante na lógica de valorização imobiliária. Durante décadas, investidores analisaram localização quase exclusivamente pela proximidade da praia. Hoje, a variável mais relevante talvez seja outra: quantos motivos diferentes existem para alguém visitar essa região ao longo do ano? Cidades que conseguem produzir eventos, atrair empresas, fortalecer a gastronomia, investir em cultura, ampliar sua oferta de lazer e estimular o turismo de negócios tendem a apresentar uma ocupação muito mais constante, reduzindo a sazonalidade e fortalecendo a rentabilidade dos imóveis destinados ao short stay.
Santa Catarina compreendeu que experiências também são infraestrutura. Um festival gastronômico movimenta hotéis. Uma feira empresarial aquece restaurantes. Um congresso tecnológico amplia a ocupação dos apartamentos por temporada. Um parque temático fortalece o comércio. Um evento esportivo internacional gera visibilidade global. Quando essas atividades passam a coexistir, o estado deixa de depender exclusivamente do clima para movimentar sua economia.
Talvez seja essa a maior vantagem competitiva catarinense. O turista chega inicialmente atraído pelas praias, mas permanece pela diversidade de experiências que encontra. Depois retorna. Em muitos casos, compra um imóvel para uso eventual. Mais tarde transforma esse imóvel em fonte de renda por meio das plataformas digitais. Não raramente, alguns anos depois, decide fazer do estado sua residência definitiva. O turismo passa a funcionar como a porta de entrada para um ciclo muito maior de investimentos, geração de patrimônio e migração qualificada.
É por isso que reduzir Santa Catarina ao título de destino de verão já não faz sentido. O estado consolidou um modelo de desenvolvimento em que turismo, inovação, cultura, eventos, gastronomia, empreendedorismo e qualidade de vida caminham juntos. Esse ambiente produz um ciclo virtuoso: quanto mais experiências são criadas, maior é o fluxo de visitantes; quanto maior o fluxo de visitantes, mais forte se torna a economia; e quanto mais dinâmica é a economia, maior tende a ser a valorização dos ativos imobiliários.
No fim, talvez o maior patrimônio catarinense não seja uma praia específica, uma cidade ou um empreendimento de alto padrão. O verdadeiro diferencial está na capacidade de transformar um território inteiro em uma experiência permanente, onde cada estação oferece um novo motivo para voltar — ou simplesmente para nunca mais ir embora.
Sobre o autor

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Especialista em estratégia comercial, posicionamento e inovação no mercado imobiliário, com atuação destacada no litoral norte de Santa Catarina. Gestor comercial da Planolar by New Plan construtora e Incorporadora, desenvolve projetos e narrativas que conectam mercado, experiência, investidores e valorização urbana. Com olhar voltado para tendências, comportamento de consumo e construção de autoridade no setor, tornou-se referência na criação de estratégias comerciais e experiências imobiliárias de alto impacto. Sua atuação integra marketing, vendas, branding e inteligência de mercado aplicados ao universo da construção civil e incorporação. Nesta coluna, traremos análises sobre investimentos, expansão urbana, turismo, luxo, inovação e os movimentos que estão redefinindo a forma de morar, investir e viver no litoral catarinense e no mercado imobiliário brasileiro.
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