Reforma tributária, um alerta para empresas do Simples
A reforma tributária já começa a impactar empresas do Simples Nacional e exige atenção redobrada de serralherias, vidraçarias e calheiros, que precisam revisar custos, contratos, preços e estratégias para manter competitividade durante a transição.

A reforma tributária deixou o campo das discussões legislativas e passou a exigir atenção prática das empresas brasileiras. Com a regulamentação avançando, negócios de todos os portes começam a revisar processos, contratos, sistemas e estratégias para enfrentar um período de transição que deve alterar a forma de apuração e gestão dos tributos no país.

Para empresas de serviço enquadradas no Simples Nacional — como serralherias, vidraçarias e calheiros —, o momento pede ainda mais cautela. Embora o regime continue existindo, ele já não representa automaticamente a opção mais vantajosa em todos os casos. A nova lógica tributária obriga o empresário a olhar além da simplicidade administrativa e avaliar com precisão o impacto sobre preço, margem e competitividade.
A preocupação é especialmente relevante para atividades intensivas em mão de obra, como as prestadoras de serviço. Nesses segmentos, parte relevante da estrutura de custos está concentrada em pessoal, execução técnica e atendimento direto ao cliente, o que reduz a capacidade de compensação por créditos tributários. Na prática, qualquer aumento de carga tende a pressionar o custo final e pode ser repassado ao consumidor, afetando o consumo e a geração de empregos.
Entidades do setor produtivo têm defendido uma regulamentação equilibrada, capaz de simplificar o sistema sem impor novos ônus ao ambiente de negócios. A principal preocupação é preservar a competitividade das empresas de comércio, serviços e turismo, que concentram grande parte dos empregos formais no país e podem ser mais sensíveis a elevações de custo.
Mais do que substituir impostos, a reforma tributária impõe uma mudança de cultura nas empresas. Sistemas de gestão precisarão ser atualizados, softwares fiscais adaptados, contratos revistos e equipes treinadas para lidar com novas rotinas de compliance, emissão de notas e formação de preços. A adaptação, segundo especialistas, precisa começar antes que as obrigações passem a valer integralmente.

No caso do Simples Nacional, a decisão sobre permanecer ou não no regime exigirá análise estratégica. O empresário deverá considerar o perfil dos clientes, a cadeia de fornecedores, a margem de lucro e a estrutura comercial da empresa. Para negócios que atendem tanto consumidores finais quanto construtoras, indústrias ou outras empresas, essa escolha pode definir o nível de competitividade no mercado.
A orientação é clara: não deixar a transição para a última hora. Empresas que iniciarem agora o processo de adaptação terão mais tempo para revisar contratos, ajustar sistemas, alinhar os setores fiscal, contábil e comercial e reduzir riscos ao longo da mudança.
No fim, a reforma tributária pode representar uma oportunidade de modernização do ambiente de negócios. Mas, para que isso aconteça sem prejuízo aos pequenos e médios empreendedores, especialmente os que operam no setor de serviços, será essencial que a transição seja previsível, equilibrada e acompanhada de planejamento.
Sobre o autor

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Farmacêutico Bioquímico formado na Universidade Federal Santa Catarina (UFSC), pós graduado em Gestão Estratégica de Empresas pela Fundação Dom Cabral (FDC). Atual CFO do grupo ALLOYBR. Atual presidente do Rotary Club de Blumenau-Norte gestão 2025-2026.
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