Peter Pedro transforma indignação com pichação em movimento por Blumenau
Em entrevista ao EmpreendaNews, criador de conteúdo contou como começou limpando placas e espaços públicos por conta própria, falou sobre o crescimento do movimento nas redes sociais e defendeu uma cultura de maior cuidado com as cidades.

Uma placa de trânsito suja, um ponto de ônibus abandonado ou um muro tomado por pichações podem passar despercebidos para quem convive diariamente com a paisagem urbana. Para Peter Pedro, no entanto, esses sinais começaram a gerar uma inquietação que acabou se transformando em ação.
Em entrevista conduzida por João Taumaturgo e Felipe Rangel, no EmpreendaNews, Peter contou como decidiu deixar de apenas se incomodar com problemas da cidade para começar a agir por conta própria.
Conhecido nas redes sociais pelo trabalho de limpeza, pintura e recuperação de diferentes espaços de Blumenau, Peter começou com intervenções simples. Com o tempo, os vídeos ganharam alcance, atraíram milhares de seguidores e passaram a inspirar iniciativas semelhantes dentro e fora de Santa Catarina.
Tudo começou com produtos de limpeza, panos e um tripé
Peter contou que cresceu acostumado a enxergar uma cidade organizada, com espaços públicos cuidados, meios-fios pintados e uma preocupação maior com a manutenção urbana. Já adulto, começou a perceber aquilo que classificava como sinais de desleixo.
Placas sujas, pontos de ônibus que precisavam de limpeza e muros pichados passaram a chamar cada vez mais sua atenção. Até que decidiu fazer alguma coisa.
Em uma manhã de fim de semana, pegou produtos que utilizava para limpar o próprio carro, alguns panos e um tripé. A ideia era simples: começar a limpar e gravar o processo.
Para Peter, registrar as ações era tão importante quanto realizá-las.
“Se eu tenho uma ideia muito boa comigo, mas não externalizo essa ideia, não mostro às outras pessoas, essa ideia morre comigo”, explicou durante a conversa.
Os primeiros vídeos não viralizaram imediatamente. Peter começou limpando placas de trânsito e depois ampliou as intervenções para pontos de ônibus e outros espaços.
O objetivo, segundo ele, nunca foi apenas produzir conteúdo, mas utilizar as redes sociais para incentivar outras pessoas a também tomarem iniciativa.
Assista ao episódio completo clicando aqui!
Inspirações ajudaram a construir o formato
Durante a entrevista, Peter revelou que observou trabalhos semelhantes antes de desenvolver o próprio formato. Uma das referências citadas foi o Ghost Painter, personagem conhecido por remover pichações em espaços urbanos na Itália.
Outra inspiração veio de um vereador de Caucaia, no Ceará, que realiza intervenções por conta própria em diferentes locais da cidade.
Peter adaptou essas referências para a própria realidade e criou um formato de conteúdo mais visual, mostrando o antes, o processo de recuperação e o resultado final. A combinação entre ação concreta e redes sociais começou a chamar atenção.
Compartilhamento de Luciano Hang ampliou alcance
Um dos momentos que ajudaram a impulsionar o perfil aconteceu depois de uma ação realizada em uma praça na região da General Osório, em Blumenau.
Peter e a esposa foram ao local para realizar melhorias em um espaço que tinha pichações, sujeira e vegetação que precisava de cuidados.
Como já acompanhava o posicionamento de Luciano Hang sobre organização e combate à pichação, Peter costumava marcá-lo nas publicações. Dessa vez, o empresário viu o conteúdo e republicou o vídeo em suas próprias redes sociais.
Segundo Peter, foi a partir daquele compartilhamento que o perfil ganhou uma nova dimensão de audiência. Durante a entrevista, ele afirmou que já havia ultrapassado a marca de 46 mil seguidores, construída de forma orgânica.
O aumento da visibilidade também trouxe novas conexões e ampliou o alcance da mensagem.
Movimento começou a inspirar pessoas em outros estados
Com o crescimento das redes, Peter começou a receber mensagens de pessoas interessadas em realizar ações semelhantes.
Durante a entrevista, citou exemplos no Paraná e no Rio Grande do Sul, além de pessoas que passaram a procurá-lo para tirar dúvidas sobre materiais, produtos, formas de limpeza e necessidade de autorização.
Em Blumenau, também recebeu contato de pessoas interessadas em recuperar fachadas e espaços atingidos por pichações.
Para Peter, esse é um dos resultados mais importantes do trabalho.
“Eu sou só uma pessoa. Não consigo mudar a cidade inteira, mas eu consigo mudar a mentalidade das pessoas”, afirmou.
A intenção é fazer com que os vídeos deixem de ser apenas conteúdos de transformação visual e se tornem estímulos para novas atitudes.
Peter diferencia grafite de pichação
Outro ponto abordado durante a entrevista foi a relação do movimento com o grafite. Peter reforçou que não considera o trabalho uma oposição à arte urbana.
Para ele, a principal diferença está na autorização para utilização daquele espaço. Uma intervenção artística realizada com autorização do proprietário ou do poder público pode contribuir para transformar um ambiente e até criar novos pontos de interesse na cidade.
Já uma intervenção feita sem autorização é tratada por ele de maneira diferente.
“O meu ponto não é o desenho, não é a beleza. O ponto é: foi autorizado ou não foi autorizado?”, explicou.
O próprio Peter contou que teve contato com o grafite quando era mais jovem, experiência que contribuiu para sua relação com desenho, comunicação e intervenções visuais.
Mais ação e menos reclamação
Uma das mensagens centrais defendidas pelo entrevistado está relacionada à responsabilidade individual.
Peter considera importante que a população cobre prefeituras, governos e representantes públicos. Ao mesmo tempo, acredita que existem situações em que o próprio cidadão pode contribuir.
Foi justamente essa lógica que motivou o projeto.
“Eu não quero ser mais um cara que está questionando a prefeitura. Quero ir lá e fazer”, afirmou.
Para ele, pequenas ações podem gerar mudanças de percepção. Uma placa que sempre esteve suja pode se tornar invisível para quem passa diariamente pelo mesmo local.
Depois que alguém chama atenção para aquilo e realiza a limpeza, outras pessoas começam a observar aquele ambiente de maneira diferente.
Peter afirmou que já recebeu relatos de seguidores que passaram a perceber placas, muros e outros espaços urbanos que antes praticamente ignoravam. Esse despertar é justamente o efeito que pretende provocar.
De Indaial para uma relação próxima com Blumenau
Peter nasceu em Indaial e vive em Blumenau há aproximadamente dez anos. Além da produção de conteúdo e das ações voluntárias, também atua profissionalmente no meio político.
Durante a entrevista, afirmou ter uma visão municipalista, com maior atenção aos problemas próximos da população e à valorização das cidades.
Questionado sobre uma possível carreira política, disse acreditar que possui vocação, mas afirmou que uma candidatura não é uma prioridade imediata.
Peter revelou inclusive ter recebido convite para disputar uma vaga de deputado estadual, mas disse que, caso decida seguir esse caminho no futuro, gostaria de começar pela política local.
Antes de ocupar um cargo, no entanto, afirma que seu principal objetivo permanece sendo provocar mudanças culturais.
Projeto começa a buscar formas de se sustentar
O crescimento das intervenções também trouxe um desafio prático: materiais, equipamentos, combustível e tempo possuem custos.
Durante a conversa, João Taumaturgo e Felipe Rangel provocaram Peter a pensar em formas de tornar o projeto financeiramente sustentável sem abandonar seu caráter voluntário.
Entre as possibilidades discutidas estão apoio de empresários, doações e conteúdos ensinando outras pessoas a realizarem intervenções semelhantes.
A própria entrevista terminou gerando uma nova conexão. Ao comentar que precisava de uma roçadeira para ampliar as ações de limpeza, os apresentadores entraram em contato com um empresário parceiro, que se comprometeu a providenciar o equipamento.
Para Peter, episódios como esse mostram que existe disposição de pessoas e empresas para ajudar quando encontram uma iniciativa na qual acreditam.
Objetivo é criar uma cultura de cuidado com a cidade
Apesar do crescimento nas redes sociais, Peter afirma que ainda conduz o projeto de maneira bastante espontânea.
Mais recentemente, passou também a produzir conteúdos relacionados à política e à gestão das cidades, mas as intervenções continuam sendo a principal porta de entrada para sua mensagem.
Para ele, limpar uma placa ou recuperar um muro é apenas a parte mais visível do trabalho. O verdadeiro objetivo está em estimular uma cultura de zeladoria e responsabilidade.
“Vamos manter a cidade bonita, vamos cuidar da nossa cidade”, resumiu.
Uma iniciativa que começou com produtos de limpeza, alguns panos e uma câmera passou, assim, a alcançar milhares de pessoas.
Mais do que transformar individualmente cada espaço, Peter Pedro pretende fazer com que mais cidadãos percebam que também podem participar da transformação do lugar onde vivem.
A entrevista completa com Peter Pedro, conduzida por João Taumaturgo e Felipe Rangel, está disponível nos canais do EmpreendaNews.
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