O que jamais indicamos em uma obra! E POR QUÊ?
Nem tudo que parece acelerar ou baratear uma obra é uma boa escolha. Reunimos decisões que não indicamos aos nossos clientes — desde começar sem o projeto totalmente definido até antecipar medições, economizar no que fica escondido e deixar decisões importantes para a execução. Porque um bom projeto também é saber evitar problemas antes que eles apareçam.

Existem escolhas em arquitetura que são questão de gosto. Outras, depois de anos acompanhando projetos, fornecedores e obras, nós simplesmente não indicamos.
Não porque sejam necessariamente feias ou estejam fora de tendência, mas porque sabemos o problema que podem causar depois.
E algumas ainda são muito comuns.
1-Começar a obra antes de o projeto estar realmente pronto
Projeto bonito não significa projeto pronto para executar.
Antes de quebrar a primeira parede, precisamos saber onde passam elétrica e hidráulica, como a marcenaria encontra a pedra, onde termina o gesso e como iluminação, climatização e mobiliário conversam.
A pergunta não é apenas “está bonito?”, mas “isso consegue ser construído exatamente assim?”
2-Economizar justamente no que ficará escondido
É natural querer investir naquilo que aparece: pedra, sofá, marcenaria, luminárias.
Mas uma casa também é feita do que ninguém vê.
Impermeabilização, elétrica, hidráulica, climatização, internet e preparação correta das superfícies dificilmente aparecem nas fotos — até começarem a dar problema.
Para nós, luxo também é morar em uma casa onde tudo simplesmente funciona.
3-Executar tudo no limite da medida
No computador, tudo pode encaixar perfeitamente. Na obra, existem tolerâncias.
Paredes não são absolutamente perfeitas, pedras possuem espessuras, equipamentos precisam de ventilação e móveis precisam de espaço para montagem.
Um bom detalhamento não ignora a realidade da obra. Ele já prevê como lidar com ela.
4-Comprar tudo cedo demais
Antecipar compras é importante. Comprar antes da hora é outra coisa.
Existem itens que precisam ser definidos cedo porque interferem no projeto. Outros não deveriam chegar enquanto ainda existe poeira, pintura e circulação intensa de equipes.
Por isso, defendemos algo que ainda é pouco falado: o cronograma de compras precisa acompanhar o cronograma da obra.
5-Deixar cada fornecedor decidir sua parte sozinho
Não indicamos deixar a marmoraria decidir a pedra na obra, o marceneiro definir tomadas ou o gesseiro resolver sozinho onde termina o forro.
Cada profissional domina sua especialidade, mas alguém precisa enxergar o todo.
Uma solução perfeita para uma etapa pode criar um enorme problema para a próxima.
É exatamente aí que entra a compatibilização.
6-Medir elementos sob medida antes da hora
Tentar ganhar alguns dias pode custar semanas.
Pedras, vidros, espelhos e outros elementos sob medida dependem de etapas anteriores concluídas para que a medição seja precisa.
Às vezes, esperar o momento certo é muito mais rápido do que fabricar duas vezes.
7-Escolher materiais pensando apenas em como estarão no primeiro dia
Nós gostamos de fazer outra pergunta:
Como isso estará daqui a cinco anos?
Vai manchar? Riscar? Desbotar? É fácil fazer manutenção? Conseguiremos substituir uma peça?
Projeto não deveria funcionar apenas para a fotografia da entrega. Ele precisa continuar bom depois que a casa começa a ser realmente vivida.
8-Fazer uma casa dependente de tecnologia para tudo
Gostamos de automação e tecnologia quando elas facilitam a rotina.
Mas funções essenciais também precisam ser simples.
Se a internet cair ou o sistema precisar de manutenção, a casa continua funcionando?
Tecnologia boa é aquela que facilita. Não aquela que cria dependência.
9-Projetar sem pensar na manutenção
Onde será feita a manutenção do ar-condicionado? Como acessamos determinado equipamento? Se algo quebrar, será necessário desmontar metade do móvel?
Essas perguntas parecem pouco interessantes durante o projeto.
Depois de alguns anos, tornam-se extremamente importantes.
10-E, principalmente: deixar para decidir na obra
“Depois vemos a pedra.”
“O marceneiro resolve.”
“Quando chegar lá decidimos.”
Essas são algumas das frases mais caras de uma obra.
Imprevistos sempre existirão, mas transformar o canteiro em um lugar onde todas as decisões são tomadas aumenta retrabalho, custo e prazo.
Obra deveria ser o lugar onde executamos decisões, não onde começamos a tomá-las.
Porque arquitetura de alto padrão não é apenas utilizar materiais caros.
É fazer pedra, marcenaria, iluminação, tecnologia e instalações funcionarem juntas de uma maneira tão bem resolvida que, quando tudo estiver pronto, pareça simples.
E talvez essa seja justamente uma das partes mais valiosas de um bom projeto: resolver problemas antes mesmo de o cliente saber que eles poderiam existir.
Sobre o autor

92 matérias publicadas
Arquiteta e designer, especializada em Arquitetura e Design pelo Politécnico de Milão. Acredito que a arquitetura deve ir além da estética: ela precisa traduzir a identidade, a história e o estilo de vida de quem irá viver cada espaço. Por isso, não acredito em projetos prontos ou soluções replicadas. Cada criação é única, pensada para refletir a essência de cada cliente. À frente da Bruna Pieritz Arquitetura, desenvolvo projetos completos de arquitetura e interiores, unindo estratégia, funcionalidade, sofisticação e atenção aos detalhes para criar ambientes autênticos, atemporais e cheios de significado.
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