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Nike cobra explicações do Corinthians por patrocínio de plataforma adulta

Contrato de R$ 22 milhões com a Fatal Fans provoca questionamentos da fornecedora esportiva e investigação do Ministério Público sobre possíveis impactos em crianças e adolescentes.

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O novo patrocínio do Corinthians transformou-se em um debate que ultrapassa o futebol. A Nike, fornecedora de material esportivo do clube, notificou a diretoria para pedir esclarecimentos sobre o acordo firmado com a Fatal Fans, plataforma de assinaturas conhecida principalmente pela comercialização de conteúdo adulto.

O questionamento foi encaminhado por e-mail e tem como base uma cláusula contratual que permite à Nike contestar patrocinadores considerados “nocivos à saúde das pessoas”. A empresa busca entender os serviços oferecidos pela Fatal Fans e avaliar se a parceria apresenta algum conflito com o contrato mantido com o Corinthians.

Assinado em junho de 2026, o acordo prevê o pagamento de R$ 22 milhões ao clube até dezembro de 2027. Existe ainda a possibilidade de renovação por mais uma temporada, elevando o valor total da parceria para até R$ 31 milhões.

A marca da Fatal Fans passou a ocupar o calção da equipe masculina de futebol. O contrato também contempla exposições no basquete e no futsal, mas estabelece restrições para preservar a imagem do clube e reduzir a associação direta com conteúdos de caráter adulto.

Entre as medidas adotadas estão a proibição do uso da marca nas categorias de base e o veto a campanhas que relacionem jogadores, símbolos do Corinthians ou sua torcida à erotização e à objetificação do corpo. O clube também terá a palavra final sobre as peças publicitárias vinculadas à parceria.

Apesar dessas precauções, o caso chegou ao Ministério Público de São Paulo. O órgão instaurou um inquérito civil para apurar se o patrocínio pode representar uma violação aos direitos de crianças e adolescentes, considerando a ampla presença do público infantojuvenil entre os torcedores do clube.

A investigação foi aberta após uma representação da vereadora Keit Lima (PSOL). O Ministério Público solicitou o contrato completo, o plano de mídia da parceria e informações sobre os mecanismos utilizados pela plataforma para verificar a idade dos usuários e impedir o acesso de menores de 18 anos.

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados também foi comunicada. O objetivo é analisar não apenas a exposição da marca nos uniformes e canais do Corinthians, mas também a forma como a Fatal Fans controla o acesso ao seu conteúdo.

O clube afirma que seus patrocinadores foram consultados antes da formalização do acordo e que não considera a notificação da Nike uma crise. A diretoria declarou estar aberta ao diálogo e sustenta que adotou salvaguardas para impedir campanhas inadequadas ou associações diretas com conteúdo sexual.

O episódio mostra que patrocínios considerados sensíveis passaram a ser observados por diferentes frentes ao mesmo tempo. Além do retorno financeiro, clubes precisam avaliar cláusulas comerciais, impactos reputacionais, direitos do público infantojuvenil e possíveis consequências jurídicas.

Para o futebol brasileiro, fica uma questão cada vez mais relevante: até onde os clubes podem avançar na busca por novas receitas sem comprometer sua relação com torcedores, parceiros comerciais e a própria sociedade?

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