IPO: Especialista avalia cenário para abertura de capital apesar da guerra

Apesar da guerra no Oriente Médio e da queda do Índice Bovespa, o mercado aguarda a volta das aberturas de capital. A informação foi divulgada em 12 de março de 2026.
Expectativas para o primeiro semestre
Daniel Laudisio, sócio da área de Mercados de Capitais do TozziniFreire Advogados, avalia que a instabilidade não impactou as expectativas de movimentações para o primeiro semestre de 2026, que deve ser o período mais ativo do ano para as ofertas iniciais de ações.
Segundo Laudisio, a eleição influencia o mercado, mas já está nos cálculos de quem planeja ofertas no curto prazo. Após junho, as empresas e investidores podem preferir esperar o resultado eleitoral.
Laudisio afirma que a expectativa de retomada de ofertas iniciais no primeiro semestre se mantém. Ele ressalta que um eventual agravamento da guerra, com disrupção na cadeia de suprimentos, especialmente de petróleo, poderia complicar o cenário para as ofertas.
Laudisio aponta que não há sinais de redução do interesse do investidor estrangeiro por ofertas no Brasil. Ele admite que a guerra traz imprevisibilidade, mas a expectativa é de que o conflito diminua.
Setores em destaque
Laudisio acredita que a retomada dos IPOs deve começar com setores regulados, como saneamento e energia, por sua previsibilidade de receita. Ele também menciona o setor imobiliário e empresas de comércio eletrônico e de ciência e tecnologia.
Para Daniel Wainstein, sócio-fundador da Seneca Evercore, a instabilidade geopolítica pode adiar a janela de IPOs. Ele acredita que o mercado deve priorizar empresas com histórico de lucro, geração de caixa e governança sólida.
Wainstein menciona que a tributação de dividendos, que entrou em vigor neste ano, afeta o modelo de precificação do investidor. O impacto varia conforme o tipo de investidor.
Wainstein afirma que juros reais e estabilidade macro pesam mais na decisão de abrir capital do que a tributação isoladamente. O desafio é estrutural, com a necessidade de ampliar a poupança doméstica de longo prazo voltada para ações, reduzir fricções regulatórias e estimular liquidez.
O Brasil já possui uma estrutura institucional para o aumento dos IPOs. Um IPO é uma decisão de confiança no ambiente macro, na estabilidade jurídica e na previsibilidade das regras.
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