Insights HOTFIRE 2026: 7 viradas táticas de Ryan Deiss para vender no digital
No HOTFIRE 2026, Ryan Deiss revelou que o modelo tradicional de vendas digitais deixou de funcionar por conta do aumento nos custos dos anúncios e do colapso na confiança dos consumidores. Ao substituir o antigo funil de vendas pela metáfora da "panela de pipoca", o especialista mostrou que a maioria dos clientes precisa de tempo e relacionamento antes de comprar.

No palco do HOTFIRE 2026, Ryan Deiss, especialista global em crescimento de negócios, mandou um recado direto: o jeito antigo de fazer marketing na internet não funciona mais. Fazer anúncios pagos ficou muito mais caro e os clientes estão cada vez mais desconfiados de promessas na rede. Para continuar vendendo, o empreendedor precisa entender as novas regras do jogo digital.
A tripla crise das vendas na internet
Conseguir novos clientes pelas redes sociais e pelo Google ficou mais difícil por causa de três grandes problemas simultâneos:
Anunciar ficou muito caro: investir dinheiro em posts patrocinados no Instagram, Facebook (Meta) e Google custa cada vez mais. No último ano, o valor médio cobrado pelas plataformas por anúncio subiu 12%, além do impacto da cobrança de 12,15% em impostos sobre anúncios no Brasil em 2026.
Concorrência gigante nas redes: com a criação de 5,1 milhões de novas empresas em 2025 no Brasil (+18,6%), o mercado investiu R$ 42,7 bilhões em mídia digital. O resultado é uma briga feroz e cara pela atenção do consumidor.
Colapso da confiança do consumidor: enquanto 90% dos executivos acreditam que os clientes confiam em suas marcas, apenas 30% dos consumidores dizem confiar nelas. Para agravar, 72% dos brasileiros temem que os líderes de empresas estejam mentindo.
Táticas como promessas exageradas (49%), anúncios com cara de comercial antigo de TV (44%), textos genéricos criados por inteligência artificial (40%) e propagandas disfarçadas (39%) destroem a credibilidade. Quando o cliente não confia na marca, ele simplesmente não compra.
"Panela de pipoca": como as pessoas compram hoje
Esqueça a ideia de que a pessoa vê um anúncio na internet e compra imediatamente. Hoje, o processo de decisão do cliente funciona exatamente como uma panela de pipoca no fogão:
3% a 6% são os grãos que "estouram" de imediato: potenciais clientes (leads) que já chegam decididos e prontos para comprar.
88% a 93% precisam de tempo para esquentar: pessoas que precisam conhecer seu produto, pegar confiança e se relacionar com a marca antes de fechar negócio.
4% a 8% são grãos que nunca vão estourar: pessoas que jamais vão comprar de você.
O grande erro das empresas é tentar forçar a venda diária com promoções agressivas para todo mundo. Isso "queima a panela", irrita o cliente indeciso e faz com que ele compre no concorrente. O papel do marketing atual é aquecer com calma a maioria e identificar rapidamente quem já está no ponto de estourar.
7 viradas táticas para vender no digital sem queimar dinheiro

Para fechar mais vendas e parar de desperdiçar orçamento com anúncios, sua empresa deve aplicar sete mudanças táticas:
Segmentação por mensagem: deixe a propaganda filtrar o público
Em vez de tentar configurar públicos difíceis nas ferramentas de anúncios pagos, use o próprio conteúdo da propaganda para chamar a atenção de quem interessa. O próprio algoritmo das redes sociais entrega o anúncio para a pessoa certa.Do caro ao barato: atenda rápido quem já quer comprar
Abra caminho para quem já quer a sua solução. Adicione um campo no formulário de contato do seu site (como "Quero agendar uma conversa agora") ou ofereça seu produto principal logo na página de confirmação (a página de obrigado após o cadastro).Vender no privado: ensine em público, venda no individual
Distribua conteúdos educativos e dicas de graça nas suas redes sociais, mas guarde o momento da oferta para ambientes reservados. Envie e-mails ou mensagens curtas perguntando se a pessoa ainda precisa de ajuda para abrir uma conversa privada de vendas.Conteúdo em maratona: crie conteúdos aprofundados
Vendas de produtos ou serviços mais caros e complexos exigem em média 7 horas de contato com a sua marca e 11 interações para gerar confiança. Publique um vídeo longo bem completo e crie pequenos cortes para divulgar o material.Longo em canal curto: poste conteúdos densos em redes rápidas
Publicar textos e vídeos longos em redes de consumo rápido (como Instagram ou LinkedIn) faz o usuário passar mais tempo no seu perfil. Isso faz o algoritmo da rede social distribuir sua publicação para mais gente sem você precisar pagar nada por isso.Post orgânico como anúncio: anuncie com publicações reais
Peças publicitárias produzidas com cara de "comercial de TV" ativam o alarme de desconfiança do cliente. Pegue posts normais do seu perfil que já tiveram muitas curtidas e comentários espontâneos e impulsione esse mesmo conteúdo com dinheiro.Influenciador da casa: use o fundador ou especialistas da equipe
Contratar celebridades para fazer propaganda não transfere credibilidade de verdade. Coloque o dono da empresa ou um especialista interno para ser a cara do negócio nas redes, defendendo as opiniões e os diferenciais da marca.
"Marketing Ficou Difícil. Ótimo"
O recado final de Ryan Deiss mostra que o fim do "marketing fácil" e dos anúncios baratos é uma boa notícia para empresas sérias. Quando a exigência aumenta, quem não tem estrutura fica para trás. A vantagem competitiva agora pertence a quem constrói autoridade autêntica, passa confiança real e mantém um bom relacionamento com o cliente.
Sobre o autor

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Bianca Gimenez é mentora, estrategista de marketing e especialista em crescimento previsível para startups SaaS B2B. Com mais de 10 anos de experiência em marketing e growth, construiu e liderou estratégias responsáveis por acelerar o crescimento de empresas de tecnologia em diferentes estágios de maturidade. Ao longo de sua trajetória, foi CMO em empresas como a Movidesk, adquirida pela Zenvia em uma transação de R$ 600 milhões, e a SmartHint, empresa do grupo Magazine Luiza. É fundadora da Águia Leão, boutique de aceleração especializada em startups SaaS B2B e também do Growth Club, uma das maiores comunidades de marketing do Sul do Brasil.
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