Empresas querem IA no marketing, mas esquecem o básico
Enquanto 92% das empresas planejam investir em inteligência artificial no marketing, metade ainda ignora a qualidade dos próprios dados

Enquanto 92% das empresas planejam investir em inteligência artificial no marketing, metade ainda ignora a qualidade dos próprios dados
A inteligência artificial já deixou de ser uma promessa distante para ocupar espaço nas decisões de marketing, vendas e publicidade. Um levantamento da Live University e do Instituto Brasileiro de Inteligência de Mercado mostra que 92% das empresas brasileiras pretendem investir em IA aplicada ao marketing em 2026.
O número impressiona, mas outro dado da pesquisa merece ainda mais atenção: 50% das empresas não planejam investir na organização e na qualidade dos dados utilizados pelo marketing. Em vendas, esse percentual chega a 40%.
Na prática, muitas empresas estão comprando tecnologia antes de organizar a própria operação. Querem anúncios mais inteligentes, campanhas automatizadas e decisões orientadas por IA, mas ainda trabalham com cadastros incompletos, informações duplicadas e sistemas que não conversam entre si.
Não existe inteligência artificial eficiente quando a base de informações está desorganizada. Se os dados de clientes, campanhas e vendas estiverem errados, a tecnologia apenas produzirá respostas mais rápidas a partir de uma realidade que não existe.
Outro problema revelado pelo levantamento é a falta de integração. Cerca de 39% das empresas enfrentam dificuldades para conectar as plataformas utilizadas pelo marketing. Na área comercial, o índice chega a 50%. Isso significa que CRM, sistema de gestão, atendimento e mídia paga continuam funcionando como departamentos separados.
Como gestor, acredito que o principal papel da tecnologia não é substituir o pensamento estratégico, mas aumentar a capacidade de execução da empresa. Antes de adotar uma nova ferramenta, a liderança precisa definir qual problema deseja resolver, quem será responsável pelo processo e como o resultado será medido.
Na publicidade, essa organização se torna ainda mais importante. Não basta produzir dezenas de anúncios com inteligência artificial. É necessário compreender o público, construir uma mensagem relevante e acompanhar o caminho entre a primeira visualização e a venda.
Empresas que utilizarem a IA somente para produzir mais conteúdo poderão aumentar o volume, mas não necessariamente os resultados. A verdadeira vantagem estará com quem conseguir unir criatividade, dados confiáveis, processos claros e velocidade de execução.
A corrida pela inteligência artificial já começou. Porém, os negócios mais preparados não serão aqueles que acumularem mais ferramentas. Serão os que tiverem gestão suficiente para transformar tecnologia em decisões melhores, publicidade mais eficiente e crescimento sustentável.
Fonte dos dados: E-Commerce Brasil.
Sobre o autor

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Founder da Artepro Comunicação, construiu uma operação que funciona sem ele — e foi para o conselho. Empresário, Palestrante, Founder do EmpreendaNews e criador do Método A.R.T.E. Escreve sobre gestão, liderança e cultura a partir de quem realmente viveu.
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