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Empreenda Cast: Vívia Ewald e o preço de viver no limite

Empresária, mentora e palestrante conta como uma rotina de mais de 14 horas de trabalho afetou sua saúde e mudou sua forma de enxergar disciplina, produtividade e liderança.

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Empresária, mentora e palestrante conta como uma rotina de mais de 14 horas de trabalho afetou sua saúde e mudou sua forma de enxergar disciplina, produtividade e liderança.

Durante anos, Vívia Ewald associou dedicação a estar o tempo inteiro dentro da própria empresa. Trabalhava de manhã, à tarde e à noite, em uma rotina que ultrapassava 14 horas por dia. Naquele momento, estar sempre ocupada parecia sinal de comprometimento. Até o corpo começar a mostrar que aquele ritmo não era sustentável.

As crises de ansiedade vieram acompanhadas de um nível elevado de estresse. Em duas ocasiões, segundo relata, Vívia teve aftas na garganta e chegou a passar parte de uma viagem em família dentro do hotel, sem conseguir aproveitar os momentos com o marido e os filhos. A situação expôs uma contradição difícil de ignorar: ela trabalhava com saúde e ajudava outras pessoas a se cuidarem, mas havia colocado o próprio bem-estar no fim da lista.

A mudança começou nela

Vívia decidiu reorganizar a rotina sem buscar uma transformação radical. Criou metas pessoais, voltou a se exercitar com mais constância e começou a observar quais hábitos realmente conseguia sustentar. O objetivo deixou de ser fazer tudo de forma perfeita e passou a ser construir uma rotina possível.

Essa mudança chegou naturalmente à empresa. Os processos que ajudaram a organizar sua vida foram levados para dentro da Academia Ewald. No episódio, ela relata que, por volta de 2018, o negócio saiu de uma média de aproximadamente 600 clientes para 1.200 em cerca de dois meses.

O crescimento não aparece na conversa como consequência de uma fórmula pronta. O ponto mais interessante está em outra parte da história: quando a própria líder mudou a forma de administrar o tempo, passou também a enxergar o negócio com mais clareza.

Alta performance não pode existir só no trabalho

No EmpreendaNews Cast, Vívia questiona uma ideia comum no ambiente empresarial. Não faz sentido buscar alta performance profissional enquanto sono, saúde, disposição e vida pessoal estão constantemente sendo sacrificados.

É possível sustentar esse desequilíbrio por algum tempo, mas não para sempre. Na visão dela, sentir-se bem fisicamente interfere na capacidade de pensar, produzir, tomar decisões e lidar com as pressões da rotina. “Meu dia rende muito mais se eu estou bem”, afirma durante a conversa.

Essa percepção também aparece nos casos que acompanha. Uma de suas clientes, por exemplo, pensou em parar os treinos por dois meses para estudar para uma prova que poderia representar uma promoção no trabalho. Em vez disso, a rotina foi reorganizada para manter dois dias de exercício por semana. A cliente foi aprovada e posteriormente promovida.

Disciplina precisa funcionar na vida real

Vívia evita tratar disciplina como uma rotina rígida. Em determinados períodos, ela própria retomou os exercícios com sessões de apenas 15 minutos, duas ou três vezes por semana. O importante, naquele momento, era reconstruir o hábito antes de aumentar a exigência.

Essa lógica pode ser levada diretamente para os negócios. Planejar não significa prever tudo o que vai acontecer, mas estabelecer um ponto de partida e uma direção. Imprevistos surgem, prioridades mudam e algumas etapas precisam ser revistas, mas sem um norte qualquer dificuldade pode se transformar em motivo para abandonar o processo.

A disciplina defendida por Vívia está mais próxima da constância do que da intensidade. Não depende de acordar motivado todos os dias. Depende de continuar fazendo o que foi definido mesmo quando aquele dia não é o ideal.

Um novo olhar para a própria empresa

A mudança pessoal também abriu espaço para Vívia buscar novas referências. Em uma viagem à Disney, em 2019, ela começou a observar atendimento, experiência do cliente e detalhes da operação com olhar de empresária.

Uma das ideias levadas para a academia foi identificar clientes em seu primeiro dia para que a equipe soubesse quem precisava de atenção especial. A solução nasceu da percepção de que muitas pessoas se sentem perdidas ou inseguras ao entrar em uma academia pela primeira vez.

Hoje, perto dos 50 anos, Vívia diz viver sua melhor fase. O principal contraste com o passado não está apenas nos resultados profissionais, mas no fato de ter recuperado tempo para estudar, pensar, cuidar de si e escolher onde colocar energia.

A história deixa uma provocação especialmente relevante para empresários: estar ocupado o tempo inteiro não é sinônimo de alta performance. Em alguns casos, melhorar o negócio começa quando quem está no comando para de tratar o próprio cansaço como prova de dedicação.

Assista ao episódio completo com Vívia Ewald no EmpreendaNews Cast e acompanhe novas conversas sobre empreendedorismo, liderança, negócios e desenvolvimento pessoal.

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