Em Santa Catarina, PT perde espaço e bolsonarismo cresce, mostra análise

Em Balneário Camboriú, a Câmara Municipal sediou, em 3 de março, a celebração do primeiro “Dia da Democracia”, com discursos críticos à ditadura militar de 1964. O evento, proposto por um vereador do PT, ocorreu em um município onde o ex-presidente Jair Bolsonaro obteve quase 75% dos votos em 2022. O vereador Jair Renan, filho de Bolsonaro, foi o único a se opor à data comemorativa.
Essa divergência ilustra a mudança política em Santa Catarina. Nos últimos anos, o PT e clãs tradicionais perderam espaço para políticos como o governador Jorginho Mello (PL) e o senador Jorge Seif (PL), que ascenderam com o apoio de Bolsonaro.
Queda do PT e Ascensão do Bolsonarismo
Em 2022, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve 30% dos votos no segundo turno em Santa Catarina. Em 2002, Lula obteve 64% dos votos no estado.
Lideranças políticas em Santa Catarina apontam para diversos fatores que levaram à queda do PT. A deputada Paulinha (Podemos-SC), ex-prefeita de Bombinhas, mencionou a decepção com a política após a Lava-Jato. O vereador Eduardo Zanatta (PT), de Balneário Camboriú, atribui a situação a erros na organização do partido no estado.
Em 2006, o governo Lula apostou na expansão do Bolsa Família. Em Santa Catarina, estado com a menor proporção de beneficiários do programa, Lula sofreu derrota. O PT, que antes emplacava prefeitos em cidades importantes, não conseguiu mais governar as principais cidades catarinenses.
Mudanças na Política Catarinense
O prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), que será candidato a vice-governador, afirmou que a falta de melhorias durante os anos do PT no governo federal contribuiu para resultados negativos.
Em 2020, a eleição de Adriano Silva marcou a entrada inédita da família Bornschein no Executivo municipal. Em 2018, Jorginho Mello foi eleito ao Senado com quase a mesma votação de Esperidião Amin (PP).
Políticos de diferentes visões políticas acreditam que o apoio a Bolsonaro em Santa Catarina é um reflexo dos valores conservadores do estado.
Veteranos da política catarinense, como Bauer e Bornhausen, têm demonstrado incômodo com a força do bolsonarismo. Esperidião Amin, com dois mandatos de governador e dois de senador, é visto como uma ameaça à candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado.
Na última eleição, Amin ficou em quinto lugar na disputa ao governo. Opositores de Carlos apostam que o “familismo” dos Bolsonaro pode prejudicá-lo.
O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, apoiará as candidaturas do PL.
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