Desde quando produzir virou pecado?
Quando o debate tributário trata a bebida alcoólica como “pecado”, vale perguntar quem vai pagar essa conta. No caso da cachaça de alambique, ela chega a quem cultiva a cana, a quem trabalha na destilação e a quem mantém de pé um negócio familiar.

Quando o debate tributário trata a bebida alcoólica como “pecado”, vale perguntar quem vai pagar essa conta. No caso da cachaça de alambique, ela chega a quem cultiva a cana, a quem trabalha na destilação e a quem mantém de pé um negócio familiar.
O consumo excessivo de álcool tem consequências reais, e a saúde pública merece políticas sérias. É justamente por levar essa discussão a sério que precisamos perguntar o que uma política tributária pretende alcançar e como seu peso se distribui entre produtores de escalas tão diferentes.
Quem trabalha num alambique conhece o tempo de cada etapa. A cana tem seu ponto de colheita. A fermentação exige cuidado. Uma cachaça que passa anos no barril carrega também anos de investimento antes de chegar à prateleira. Quando o debate fiscal ignora essas diferenças, deixa de considerar como suas decisões afetam quem vive desse trabalho.
A cachaça de alambique faz parte da cultura brasileira porque há gente que preserva esse saber, ensina o ofício e consegue viver dele. Valorizar essa história nas feiras e nas festas é fácil. A coerência aparece quando o pequeno produtor também tem voz na hora de discutir os tributos que incidem sobre o seu trabalho.
E fica a pergunta. Se o consumo é considerado um pecado, será que produzir, trabalhar, gerar empregos e preservar a nossa cultura também passou a ser?
Ivan Hort | Alambique H
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