Dólar AmericanoR$ 5.09 0.08%EuroR$ 5.92 0.04%BitcoinR$ 402998 0.94%Dólar AmericanoR$ 5.09 0.08%EuroR$ 5.92 0.04%BitcoinR$ 402998 0.94%
EventosIndaiatuba – SP

Casa inteligente muda o jeito de construir?

Construind 2026 apresentará casa que integra steel frame, energia solar, baterias, automação e recarga elétrica, mostrando como tecnologia passa a fazer parte do projeto imobiliário.

Casa inteligente muda o jeito de construir?Reprodução/Valor Empresas
Compartilhar:WhatsApp
Ouvir notícia

Construind 2026 leva a Indaiatuba uma residência que integra steel frame, energia solar, baterias, automação e recarga de veículos elétricos desde a etapa de projeto.

Uma casa em que estrutura, geração de energia, armazenamento em baterias, carregamento de veículo elétrico, reaproveitamento de água, climatização e automação residencial são concebidos como partes de um mesmo sistema será uma das principais demonstrações tecnológicas da Construind 2026, feira da construção civil marcada para 22 a 24 de setembro, no Espaço Viber, em Indaiatuba, no interior paulista.

O projeto, apresentado como “Casa Inteligente — Tecnologia e Sustentabilidade desde a Construção”, será instalado em um megaestande desenvolvido conjuntamente por i9 Solar, Steel na Veia e DANF. A proposta é mostrar como tecnologias normalmente contratadas em diferentes momentos de uma obra podem ser integradas ainda na fase de projeto.

A feira ocorrerá das 14h às 21h, terá entrada gratuita mediante credenciamento e projeta receber mais de 7 mil visitantes e 88 expositores. A organização estima ainda movimentar aproximadamente R$ 35 milhões em negóciosdurante os três dias — número que deve ser entendido como uma projeção do evento, e não como receita já contratada. Segundo o próprio organizador, a primeira edição, realizada em 2025, teria gerado R$ 27 milhões em negócios.

A inteligência começa antes da automação

O aspecto mais relevante do projeto demonstrativo talvez não seja a possibilidade de apagar luzes por comando de voz ou controlar equipamentos pelo celular. A proposta apresentada pelas empresas aponta para uma mudança mais estrutural: incorporar infraestrutura tecnológica antes que paredes, instalações elétricas e sistemas hidráulicos estejam concluídos.

A residência demonstrativa deverá reunir Light Steel Frame, sistema fotovoltaico, baterias para armazenamento de energia, captação de água da chuva, aquecimento de água e piscina, carregador para veículo elétrico, elétrica inteligente, automação residencial, áudio e vídeo, piso aquecido e aspiração central.

O visitante poderá percorrer estações destinadas às diferentes tecnologias. Entre elas estarão uma cisterna de água pluvial, geração fotovoltaica conectada a baterias, carregamento de automóveis integrado ao sistema energético e ambientes automatizados. A ideia é transformar a residência em uma demonstração funcional, e não apenas em uma exposição de equipamentos.

Essa lógica altera uma prática ainda comum no mercado residencial: instalar automação, energia solar ou carregadores apenas depois da conclusão da obra. Quando essas necessidades são consideradas desde o projeto, torna-se possível prever tubulações, quadros elétricos, circuitos, espaços técnicos, infraestrutura de dados e capacidade elétrica compatíveis com futuras expansões.

Isso, entretanto, não significa automaticamente que uma casa altamente tecnológica seja financeiramente mais vantajosa. As empresas não divulgaram o custo total da residência demonstrativa, o investimento necessário para reproduzir o conjunto de soluções nem o prazo estimado de retorno financeiro. Portanto, eventuais ganhos devem ser avaliados individualmente conforme consumo de energia, tarifas, dimensionamento dos sistemas, perfil de utilização e custo de implantação.

Construção industrializada encontra a casa conectada

A estrutura da demonstração utilizará Light Steel Frame (LSF), sistema industrializado baseado em perfis leves de aço. A tecnologia permite deslocar parte da lógica da construção tradicional para processos mais padronizados e previsíveis.

A industrialização é uma das agendas atualmente acompanhadas pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção. Em junho, representantes da CBIC, do Senai e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços discutiram a evolução da construção industrializada e os gargalos que ainda limitam sua expansão no país.

O próprio setor já dispõe de referenciais específicos para o sistema. A família ABNT NBR 16970, publicada em 2022, estabelece requisitos relacionados ao Light Steel Framing, incluindo desempenho dos sistemas estruturados em perfis leves de aço formados a frio.

O movimento também vem ganhando escala industrial. Em 2025, por exemplo, a CBIC destacou a inauguração, em São Paulo, de uma fábrica automatizada de construções em Light Steel Frame com capacidade anunciada de até 10 mil unidades por ano. O caso não representa a escala de todo o mercado brasileiro, mas ajuda a mostrar como manufatura, automação e construção começam a se aproximar.

A consequência econômica dessa transformação pode ser relevante. Em vez de tratar cada residência quase exclusivamente como um produto artesanal montado no canteiro, sistemas industrializados aumentam a possibilidade de padronizar componentes, controlar materiais e integrar previamente instalações hidráulicas, elétricas e digitais.

Energia passa a fazer parte da arquitetura da casa

Outro eixo da residência apresentada na Construind será a integração entre painéis fotovoltaicos, baterias e recarga de veículos elétricos.

A geração distribuída deixou de ser uma tecnologia marginal no sistema elétrico brasileiro. A regulamentação permite que consumidores produzam eletricidade por fontes renováveis e utilizem o Sistema de Compensação de Energia Elétrica, dentro das condições definidas pela legislação e pela Agência Nacional de Energia Elétrica. A base de dados de micro e minigeração distribuída da Aneel é atualizada regularmente e contempla informações de instalações conectadas em todo o país.

A presença de baterias acrescenta outra dimensão. Em vez de apenas produzir energia durante períodos de radiação solar, a residência pode armazenar eletricidade para consumo posterior ou para aplicações específicas.

A combinação com um automóvel elétrico amplia novamente as exigências de projeto. Um carregador residencial pode representar uma carga significativa para a instalação elétrica, exigindo dimensionamento adequado de cabos, circuitos, proteção e potência disponível.

No Brasil, os sistemas de carregamento condutivo para veículos elétricos são abrangidos pela série ABNT NBR IEC 61851. O Inmetro informa que, atualmente, não existe regulamentação própria do instituto exigindo certificação desses carregadores.

Em São Paulo, onde será realizada a Construind, uma lei estadual promulgada em fevereiro de 2026 passou a tratar do direito à instalação de estação individual de recarga para veículos elétricos em edificações residenciais e comerciais, mais um sinal de que a infraestrutura para eletromobilidade começa a entrar no planejamento imobiliário.

IoT transforma residência em infraestrutura digital

A automação apresentada na feira também insere a construção civil em uma discussão que tradicionalmente pertencia ao setor de tecnologia: interoperabilidade, conectividade e segurança de dados.

Uma casa conectada pode reunir sensores, câmeras, iluminação, climatização, fechaduras, persianas, eletrodomésticos, medidores de energia e sistemas de segurança. Para o usuário, a experiência ideal é que todos funcionem de maneira coordenada. Para projetistas e integradores, isso exige pensar redes, protocolos, compatibilidade e atualização tecnológica.

O próprio Plano Nacional de Internet das Coisas, instituído pelo Decreto nº 9.854/2019, define IoT considerando a conexão entre objetos e dispositivos e estabelece entre suas diretrizes temas como interoperabilidade, segurança da informação e proteção de dados pessoais.

Esse ponto cria um desafio para incorporadoras e proprietários: uma residência pode permanecer ocupada durante décadas, enquanto dispositivos digitais têm ciclos de vida muito menores.

A casa verdadeiramente preparada para o futuro, portanto, não é necessariamente aquela com maior quantidade de gadgets instalados hoje, mas aquela cuja infraestrutura permite substituir, atualizar e integrar sistemas sem grandes intervenções construtivas.

O mercado encontra um setor ainda pressionado por custos

A discussão ocorre em um momento de crescimento moderado da construção brasileira.

Segundo a CBIC, com base em dados do IBGE, o PIB da construção recuou 0,4% no segundo trimestre de 2026frente ao trimestre anterior, embora tenha avançado 1% na comparação anual e acumulado crescimento de 1,1% no primeiro semestre.

Ao mesmo tempo, o setor mantinha 3,13 milhões de trabalhadores com carteira assinada em julho, depois de gerar aproximadamente 180,4 mil vagas entre janeiro e julho de 2026. O INCC acumulava alta de 6,44% em 12 meses encerrados em julho, mostrando que a pressão de custos permanece relevante para construtoras e incorporadoras.

Nesse cenário, tecnologias que prometem redução de desperdício, menor consumo operacional ou maior produtividade encontram espaço comercial — mas também precisam demonstrar retorno.

Para construtoras, incorporadoras, arquitetos e instaladores, a oportunidade não está apenas na venda de equipamentos. Surge uma cadeia de serviços que envolve projetos de eficiência energética, automação, infraestrutura elétrica, armazenamento de energia, gerenciamento hídrico, integração digital, manutenção e atualização tecnológica.

Uma feira regional com ambição de gerar negócios

A Construind chega à segunda edição com posicionamento regional, atendendo principalmente Indaiatuba e a região de Campinas. O público indicado pela organização reúne arquitetos, engenheiros, construtoras, incorporadoras, lojistas, prestadores de serviços, proprietários e investidores imobiliários.

A estimativa de R$ 35 milhões em negócios representa crescimento de aproximadamente 30% sobre os R$ 27 milhões informados para a edição anterior. A concretização dessa meta, porém, somente poderá ser avaliada depois do evento.

A feira será realizada nos dias 22, 23 e 24 de setembro de 2026, no Espaço Viber, em Indaiatuba. A visitação é gratuita, mas o credenciamento online é obrigatório. A organização informa que o acesso utilizará reconhecimento facial em totens de entrada.

Esse último detalhe, curiosamente, reforça o próprio tema da feira: a digitalização não está apenas dentro da casa demonstrativa. Ela já alcança a maneira como eventos, edifícios, sistemas energéticos e serviços são operados.

A Casa Inteligente da Construind representa uma mudança mais ampla na construção civil: o imóvel começa a ser tratado não apenas como estrutura física, mas como uma plataforma que combina energia, água, mobilidade e infraestrutura digital. O avanço de sistemas industrializados, geração distribuída, veículos elétricos e IoT aumenta a importância de tomar decisões tecnológicas ainda durante o projeto, quando mudanças costumam ser menos complexas do que depois da entrega da obra.

O teste para o mercado, entretanto, será econômico. Não basta conectar equipamentos ou instalar painéis solares para garantir eficiência. Os próximos passos deverão mostrar se construtoras conseguem transformar essa integração em projetos replicáveis, com custos previsíveis, manutenção simples, interoperabilidade e retorno mensurável. Se isso ocorrer, a chamada casa inteligente poderá deixar de ser um pacote de acessórios de alto padrão para se tornar parte da própria infraestrutura dos novos imóveis.

Indaiatuba – SP#Casa inteligente#IoT#Light Steel Frame#Energia Solar#construção civil#Construind 2026#Sustentabilidade#construção industrializada#eletromobilidade#automação residencial
Compartilhar:WhatsApp

Sobre o autor

98 matérias publicadas

Farmacêutico Bioquímico formado na Universidade Federal Santa Catarina (UFSC), pós graduado em Gestão Estratégica de Empresas pela Fundação Dom Cabral (FDC). Atual CFO do grupo ALLOYBR. Atual vice-presidente do Rotary Club de Blumenau-Norte gestão 2026-2027.

Discussão

0 comentários

Entre para comentar mais rápido

V

Notícias Relacionadas