Casas Bahia pede recuperação judicial com dívida de R$ 17,3 bilhões
Grupo recorre à Justiça após avanço das dívidas, fechamento de quase 300 lojas e prejuízo bilionário; empresa busca reorganizar as finanças e manter as operações.

Um dos nomes mais conhecidos do varejo brasileiro enfrenta uma das maiores crises de sua história. O Grupo Casas Bahia pediu recuperação judicial, declarando uma dívida de aproximadamente R$ 17,3 bilhões. O pedido foi apresentado à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo no domingo (16).
O processo envolve dez empresas da holding e alcança negócios ligados às marcas Casas Bahia, Ponto Frio, Extra.com e Bartira, além de operações de logística e tecnologia. Dos R$ 17,3 bilhões declarados, cerca de R$ 16,4 bilhões correspondem a credores sem garantia.
A situação financeira da companhia se deteriorou em meio a juros elevados, restrição de crédito, aumento dos custos financeiros e pressão sobre o consumo. Segundo a própria empresa, tentativas recentes de levantar novos recursos também não tiveram o resultado esperado.
A crise já provocou mudanças significativas na operação. Como parte do processo de reestruturação, 298 lojas foram fechadas. Documentos apresentados no pedido também apontam a demissão de cerca de 3 mil funcionários.
Outro número que chamou atenção do mercado foi o resultado do segundo trimestre de 2026. A companhia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões, contra perda de R$ 555 milhões no mesmo período do ano anterior. Parte expressiva desse resultado, porém, está relacionada a efeitos contábeis não recorrentes.
Esta não é a primeira tentativa recente de reorganização financeira do grupo. Em 2024, a Casas Bahia passou por uma recuperação extrajudicial, utilizada para renegociar bilhões de reais em dívidas financeiras. Agora, diante do agravamento da situação, a companhia optou pela recuperação judicial.
Apesar do impacto da notícia, recuperação judicial não significa que a Casas Bahia decretou falência. O mecanismo permite que uma empresa em dificuldade financeira tente renegociar suas obrigações com os credores enquanto busca preservar suas atividades.
Para uma companhia que durante décadas se tornou símbolo do varejo popular brasileiro, o desafio agora é recuperar fôlego financeiro, reduzir custos e encontrar um modelo sustentável para continuar operando em um mercado cada vez mais competitivo.
A pergunta agora é: a Casas Bahia conseguirá se reinventar mais uma vez?
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