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Um verdadeiro legado: Alberto’s, um marco para a história de Itapema.

Alberto’s, um ícone em Itapema, celebra três décadas de tradição e cultura, deixando um legado eterno na cidade.

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Trinta anos de mesas, memórias e gerações — o que fica quando um lugar passa a fazer parte da alma de uma cidade.

Tradição não se decreta. Não nasce de planejamento estratégico, não vem de branding bem executado, não aparece num plano de negócios. Tradição é o que sobra depois que o tempo passa e as pessoas continuam voltando. É o que resiste à moda, à concorrência, à reforma, à troca de geração. É o que transforma um endereço num ponto de referência afetiva de uma cidade inteira. O Alberto’s é isso para Itapema.

Alberto Rehm chegou ao litoral norte catarinense em 1991, vindo de Campos Novos, depois de anos rodando o Brasil como caminhoneiro. Trouxe consigo uma vontade simples e poderosa: criar algo seu, num lugar que ele amava. Poucos anos depois, abriu um restaurante no bairro Meia Praia e colocou o próprio nome na fachada. Não como vaidade. Como compromisso. Trinta e um anos de portas abertas provaram que ele honrou esse compromisso todos os dias.

O que acontece num restaurante que atravessa três décadas não é gastronomia. É cultura. É o acúmulo silencioso de histórias que ninguém registra mas todo mundo carrega. Me lembro das dezenas de vezes em que me servi naquele buffet. Das músicas de churrascaria que tocavam nos almoços de domingo, aquele som que você não escolheria ouvir em casa mas que, naquele contexto, era exatamente certo. Da fartura que era o buffet de sobremesa, que toda criança tratava como a parte mais importante da refeição e que todo adulto fingia que ia pular e nunca pulava.

Eram detalhes. Mas é exatamente nos detalhes que a memória afetiva mora. A criança que vai ao Alberto’s pela primeira vez sem entender o que é aquilo, e que anos depois volta adulta e sente um reconhecimento que não sabe explicar. O casal que comemorou ali um aniversário de casamento. A família que fez daquele almoço de domingo um ritual sagrado. O grupo de amigos que se encontra só no verão e escolhe sempre o mesmo lugar porque, num mundo que muda o tempo todo, o Alberto’s era o ponto fixo.

Cultura se constrói assim. Não com grandiosas declarações, mas com consistência. Com a repetição que vira hábito, o hábito que vira pertencimento, o pertencimento que vira identidade. Itapema cresceu ao redor do Alberto’s. A cidade que Alberto Rehm escolheu como lar se transformou num dos destinos mais valorizados do Sul do Brasil, e o restaurante foi junto, sem perder a alma.

Em 2019, a família tomou uma decisão que diz tudo sobre o que foi construído ali: derrubou o antigo e ergueu um novo, mais moderno e mais amplo. Mas manteve o nome. Manteve o endereço. Manteve a essência. Porque legados verdadeiros não se abandonam na primeira reforma. Eles se renovam sem se perder.

Alberto Rehm faleceu no início de maio de 2026. E é natural que a notícia cause tristeza. Mas seria um equívoco encerrar sua história numa nota de falecimento. Porque o que ele construiu segue vivo, segue cheio, segue recebendo as mesmas famílias que um dia foram recebidas por ele.

Há empresários que constroem negócios. Há os que constroem lugares. E há, mais raros ainda, os que constroem parte da cultura de uma cidade. Esses últimos não partem de verdade. Ficam na memória das pessoas, nas mesas que continuam sendo ocupadas, nas histórias que continuam sendo vividas onde eles plantaram raiz. Alberto Rehm foi um desses. E o Alberto’s é a prova de que o tempo, quando bem usado, não apaga. Eterniza.

#Tradição#História#cultura#Itapema#gastronomia
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